Crioterapia: entenda técnica que reduz queda de cabelo na quimioterapia

Após o diagnóstico de câncer, é comum surgirem diversas dúvidas e receios, principalmente em relação aos temidos efeitos colaterais da quimioterapia.

Para as mulheres diagnosticadas com câncer, um dos efeitos colaterais mais temidos é a quadra de cabelo, comum em quem faz tratamento quimioterápico. Isso ocorre porque o tratamento atua tanto nas células cancerígenas quanto nas saudáveis, como as células dos folículos pilosos, responsáveis pela produção dos cabelos.

A queda de cabelo pode atrapalhar o tratamento efetivo do câncer, já que a questão emocional também contribui positivamente ou negativamente no tratamento. A queda de cabelos durante a quimioterapia pode levar a problemas secundários como autoestima baixa, ansiedade, estresse e depressão. Mas, afinal, existem formas de evitar a queda de cabelo durante a quimioterapia?

A resposta é sim! Estudos mostram que técnicas como a crioterapia, reduzem significativamente a queda capilar durante o tratamento.

O assunto ganhou destaque, recentemente, após a apresentadora, Ana Furtado, revelar detalhes sobre o tratamento que que tem feito para combater o câncer de mama, diagnosticado recentemente. Após a retirada do tumor, ela está passando por sessões de quimioterapia.

Para evitar a queda de cabelo comum quando se faz o tratamento, ela revelou que também está fazendo a crioterapia. A técnica consiste em resfriar o couro cabeludo durante as sessões de quimioterapia, levando à contração dos vasos sanguíneos e protegendo os folículos capilares.

A seguir, entenda como funciona a crioterapia, suas indicações, contraindicações e cuidados antes e depois de realizar o procedimento!

O que é crioterapia?

A crioterapia ou Scalp Cooling (em inglês), é um tratamento estético e terapêutico para a pele, em que se usa baixas temperaturas sobre a pele, podendo ser usados jatos em spray ou sondas previamente resfriadas ou em sua versão mais leve, por meio de cremes, géis e sprays que levem cânfora ou mentol em sua composição, causando um resfriamento onde são aplicados.

O tratamento é utilizado para melhorar a tonicidade da pele, reduzir a gordura localizada e a celulite e para clarear manchas da pele. Além disso, a crioterapia também tem indicações terapêuticas.

A técnica é utilizada para auxiliar o tratamento de alguns casos de vitiligo, favorecendo a repigmentação de algumas regiões do corpo, além de auxiliar o nascimento de pelos na alopecia areata. Ele também pode ser usado para tratar verrugas, tumores benignos da pele, alguns tipos de cânceres de pele, lesões pré-cancerosas, lesões infecciosas localizadas (como leishmaniose, cromomicose) lesões de acne inflamatória, molusco contagioso, granuloma anular, condiloma acuminado, e muitas outras doenças.

Como crioterapia é um tratamento muito abrangente, ela pode ser feita de diversas formas. Na estética, ela pode ser aplicada com cremes e géis feitos com cânfora e mentol, ou bandagens frias na pele.

Já dermatologistas podem usar a crioterapia envolvendo nitrogênio líquido e gelo seco. Nesses casos pode ser feito o criopeeling, com aplicação de nitrogênio líquido ou o gelo seco no rosto para promover a renovação da camada superficial da pele.

Já nos tratamentos terapêuticos, o tratamento é feito em áreas específicas e depende da lesão encontrada. Lesões malignas precisam de um congelamento mais profundo, durando de um a dois minutos, enquanto lesões benignas podem ser submetidas ao tratamento por alguns segundos apenas. Mas, por ser um procedimento não cirúrgico, não é possível enviar material para análise laboratorial e definir com exatidão se houve cura da lesão. Por isso, a crioterapia terapêutica está mais indicada para tumores menos agressivos.

Como funciona a crioterapia capilar?

Na crioterapia capilar, uma touca é colocada na cabeça do paciente cerca de 30 minutos antes do início da sessão de quimioterapia e resfria o couro cabeludo. A touca não pode ser retirada até uma hora e meia depois do procedimento.

Um capacete revestido por um gel em temperatura de 4º C é conectado por meio de um tubo a uma máquina que se assemelha a um circulador de ar. Colocado sobre a cabeça do paciente 60 minutos antes da infusão de quimioterapia, a touca permanece sendo usada durante toda a aplicação do quimioterápico e só é retirada cerca de uma hora após a aplicação completa do medicamento.

Todo o processo duro em torno de três a quatro horas. “Esse dispositivo gelado causa uma sensação térmica de aproximadamente 15º C e, em geral, é bem tolerada. Em alguns casos pode haver queixa de dor de cabeça, tontura e sensação de frio, mas tais sintomas não são considerados como fatores que levem à desistência do procedimento pelos pacientes, graças ao bons resultados alcançados”, ressalta Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia – CPO (Grupo Oncoclínicas).

Como ajuda a evitar a queda de cabelo?

A técnica, chamada de Crioterapia consiste no uso de uma touca gelada, que resfria o couro cabeludo, levando à contração dos vasos sanguíneos e, dessa forma, cria uma espécie de capa protetora que preserva os folículos capilares.

O sistema resfria o couro cabeludo do paciente em uma sensação térmica de cerca de 5 graus, podendo variar. Com o couro cabeludo resfriado, há uma diminuição do fluxo sanguíneo nos folículos capilares, promovendo a menor absorção da medicação nesta região, e assim, evitando ou reduzindo a perda dos fios ao longo do tratamento.

Esse resfriamento do couro cabeludo diminuí o fluxo sanguíneo para a raiz de cada fio, fazendo com o que folículo capilar fique menos suscetível à agressão dos quimioterápicos e, portanto, menos propenso ao risco de queda. O especialista frisa que o nível de preservação do cabelo está relacionado ao tipo de quimioterápico empregado.

Considerando as drogas mais fortes, que levariam à queda total dos fios, é possível reduzir o índice de perda para 20% a 30%. “Isso significa que o uso de peruca ou lenços se torna desnecessário na maioria das situações, contribuindo amplamente para a autoestima das mulheres em tratamento.

Contraindicações da crioterapia:

Pessoas com infecções na pele, feridas abertas e psoríase devem evitar o tratamento estético da crioterapia.

A crioterapia não é indicada em casos de câncer nas células do sangue, como leucemia e linfoma. Pessoas que apresentam alergia no couro cabeludo também não devem fazer o tratamento.

Já a crioterapia feita pelo dermatologista não é indicada para pessoas com doenças desencadeadas pelo frio, como o fenômeno de Raynauds, urticária ao frio, criofibrinogenemia, paniculite ao frio, crioglobulinemia e doenças das plaquetas. Distúrbios da coagulação podem ser impeditivos também. Infecção bacteriana próxima ao local da aplicação pode levar á piora do quadro infeccioso. Mas isso normalmente é avaliado pelo profissional que aplica esse tipo de tratamento. O ideal é que grávidas não se submetam a esse tratamento estético.

Quais profissionais podem realizar o procedimento?

O ideal é que a crioterapia com nitrogênio líquido e gelo seco seja feita por um dermatologista experiente, porque o resultado depende muito de como é feita a aplicação e isso varia muito conforme o tipo de lesão, local da pele, cor da pele e outros fatores que requerem muita capacitação.

Já a crioterapia mais simples, com bandagens e cremes com cânfora e mentol, pode ser feita por esteticistas e fisioterapeutas.

A crioterapia usada em pacientes com câncer deve ser feita por técnicos responsáveis pela aplicação do tratamento para estes devidos fins e com acompanhamento da equipe de enfermagem devidamente treinada.

Vale dizer também que essa técnica deve ser feita em clínicas ou hospitais especializados onde também são realizados os tratamentos de quimioterapia. E somente durante a quimioterapia.

DATA
20-07-18
CATEGORIAS

COMPARTILHE