O impacto da inflação médica nos planos de saúde

O setor de Saúde Suplementar, com mais de 47 milhões de beneficiários, possui papel importante na economia brasileira, representando 2,6% do PIB do País. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as despesas assistenciais cresceram em 14,13% no último ano. No entanto, a diferença entre receitas e despesas foi positiva, totalizando R$ 24,33 bilhões em lucro.

Por esse motivo é comum surgirem questionamentos quanto aos índices de reajustes dos planos de saúde serem maiores que o da inflação geral. No último ano, a ANS autorizou o reajuste de 13,55% para os planos individuais. Nos planos coletivos, o reajuste pode ser maior, devido a variação do índice de sinistralidade, valores altos se comparados a inflação geral, que fechou 2,71% no último ano.

Essa divergência é justificada, principalmente, em virtude da incorporação de novas tecnologias e do processo natural de envelhecimento da sociedade, fatores que aumentam tanto a frequência de utilização quanto o preço dos serviços e, consequentemente, fazem os custos em saúde crescer em ritmo superior ao da inflação geral.

Nos planos coletivos, além do reajuste por sinistralidade, que possui o objetivo de repor as despesas com assistência médica que foram maiores do que o esperado, também ocorre o reajuste por índice de VCMH, que se refere à Variação de Custo Médico-Hospitalar.

O índice de Variação de Custo Médico-Hospitalar (VCMH) abrange a variação do custo das operadoras de plano de saúde com internações, consultas, terapias e exames, comparando dois períodos consecutivos de 12 meses, levando em consideração oscilações, tanto da frequência de utilização quanto do preço médico. O VCMH também considera a variação das taxas de câmbio, considerando que a maior parte dos equipamentos utilizados em clínicas são trazidos do exterior. O aumento do reajuste também é influenciado pela alta dos medicamentos e a pressão exercida pelos prestadores de serviço de saúde às operadoras.

Diferentemente do IPCA Saúde (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acompanha a variação do nível de preços na saúde, a análise do custo médico-hospitalar leva em consideração a combinação de dois fatores: frequência de utilização e preço dos serviços de saúde.

Dessa forma, a Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCHM), indicador da “inflação médica”, utilizado pelo mercado de Saúde Suplementar, aponta que as despesas assistenciais crescem de maneira expressiva e acima da inflação geral de preços.

Fontes:

Agência Nacional de Saúde Suplementar

FenaSaúde

DATA
21-12-17
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