HTLV – o que é, sintomas e tratamento

Conheça a doença prima do HIV (Aids) e como preveni-la

Poucas pessoas já ouviram falar do Vírus T-Linfotrópico Humano do Tipo 1 ou HTLV-1. O HTLV é primeiro retrovírus humano causador de infecções e de câncer datado em 1980, antes mesmo do HIV. Ele não é uma raridade e pode provocar sérios problemas.

O HTLV é um retrovírus da mesma família do HIV, que infecta a célula T humana, qual é muito importante para o sistema de defesa do organismo. Pouco conhecida, a doença decorrente pode impossibilitar os portadores até de andar.

Estima-se que, atualmente, 10 a 20 milhões pessoas em todo o planeta estejam infectadas com o HTLV-1. No Brasil, há aproximadamente 800 mil indivíduos infectados pelo vírus.

A Infecção, sintomas e consequência

         Como geralmente acontece em retrovírus, o vírus fica em repouso e se integra ao DNA dos seus portadores. Segundo estudos, 5 a 10% das pessoas infectadas pode acarretar em duas doenças: mielopatia associada ao HTLV-1 ou paraparesia espástica tropical (HAM/TSP), e a leucemia linfoma de células T do adulto (ATLL), que é um tipo de câncer do sangue bastante agressivo, e leva o paciente à morte em dois anos.

O indivíduo infectado em que o vírus se manifesta, durante ao longo do tempo, pode ficar incapacitado de andar. A infecção pode ser absolutamente assintomática.

HTLV
Doenças relacionadas ao HTVL podem prejudicar a mobilidade

Ao se manifestarem, são sintomas indicativos de doenças neurológicas (HAM):

  • Dor na batata da perna e nos pés;
  • Dor na coluna lombar;
  • Fraqueza;
  • Dormência e formigamentos nos membros inferiores;
  • Perturbações urinárias.

Nos quadros de leucemia e linfomas (ATLL), os sintomas podem ser:

  • Lesões cutâneas maculopapulares;
  • Descamação;
  • Gânglios infartados;
  • Alterações visuais e ósseas.

         Assim como a Aids, o HTLV-1 pode ser transmitido através da relação sexual desprotegia com pessoas infectadas, transfusão de sangue infectado, pelo uso compartilhado de seringas e agulhas, e até mesmo através do aleitamento materno e na gestação.

Vale ressaltar que na maioria dos pacientes, o vírus permanece sem manifestar sintomas. O tempo médio estimado entre a infecção por HTLV-1 e o desenvolvimento de doenças relacionadas ao retrovírus pode demorar. Geralmente ocorre por volta da quarta década de vida do portador.

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Pouca atenção e informação ao HTLV-1

Devido o vírus ser assintomático na maioria dos portadores, o HTLV-1 não recebe a atenção que deveria. Geralmente, e por ser um vírus antigo, acaba se adaptando ao sistema imunológico do paciente, e os indivíduos não desenvolvem as complicações mais graves.

Porém, quando os sintomas aparecem, a falta de conhecimento por parte dos profissionais da saúde contribui para o diagnóstico incorreto das doenças decorrentes do vírus.

Segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já foram identificadas quatro linhagens do HTLV, tendo seu tipo 1 o mais disseminado.

Estudos mostram que a disseminação do vírus acontece dentro de uma mesma família. Análise do genoma do vírus confirmou a identidade das sequências genéticas.

Uma pessoa infectada pelo HTLV transmite sexualmente para seu parceiro, que consequentemente, pode passar para seus filhos por meio do aleitamento materno, por exemplo.

Diagnóstico e tratamento

         Ainda que haja esforços em pesquisa, não há tratamento curativo para o HTLV-1. Atualmente, os médicos acabam recorrendo a terapias para controle do vírus no organismo infectado.

         A maioria dos pacientes descobrem que estão infectados quando vão doar sangue. O diagnóstico efetivo para a identificação do HTLV-1 é estabelecido através dos testes ELISA e Western-blot, específicos para esse tipo de retrovírus.

HLTV
Pacientes descobrem a infecção de HTLV através de doação de sangue

Todas as doenças decorrentes desse retrovírus têm tratamento. Para controlar os sintomas da HAM/TSP, os médicos optam por terapias para controle da inflamação medular. O mesmo vale para o tratamento da ATL, de impacto moderado.

Campanhas de prevenção

Tendo o objetivo de informar e mobilizar a população e o poder público referente à infecção ocasionada pelo retrovírus, a Associação Internacional de Retrovirologia (IRVA) institui o dia 10 de novembro como o Dia Mundial do HTLV.

Além do mais, foi enviado uma carta aberta à Organização Mundial da Saúde (OMS) por médicos, pesquisadores e representantes de pacientes portadores do vírus, solicitando a criação de estratégias para a erradicação do HTLV-1.

HTLV no Brasil

Segundos dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2018, 1% da população brasileira está infectada pelo HTLV-1. Se considerarmos as dimensões e a população do país, o número de pessoas infectadas é baixo (estima-se que entre 800 mil e 2 milhões de pessoas estejam infectadas), porém, representa um problema de saúde pública.

O Estado da Bahia foi o que apresentou o maior índice de infecções do país. De 2012 a 2017, 2% das mulheres baianas eram portadoras do vírus. Além disso, também foi identificado um alto índice de soropositividade nos estados do Maranhão, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Brasil foi pioneiro na detecção do HTLV-1, sendo introduzida nos bancos de sangue em 1993. Em muitos países, a triagem ainda não é realizada.

Previna-se

Assim como a Aids e outras infecções retrovirais, não se descuide de sua saúde:

  • Use camisinha;
  • Observe se as agulhas e seringas que vai usar são descartáveis;
  • No caso da mulher, se está grávida ou pretende engravidar, peça para seu médico averiguar a possibilidade da infecção pelo HTLV.

Por isso, é de extrema importância que disseminemos informações ao maior número de pessoas. Compartilhe com seus amigos e familiares, e procure sempre se prevenir! A informação, acima de tudo, é um método de prevenção de doenças!

DATA
10-01-19
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