OMS alerta sobre o uso inadequado de antibióticos

Quem nunca tomou um analgésico ou antibióticos sem prescrição após uma dor de cabeça ou infecção? Essa é uma prática muito comum no Brasil, devido ao fácil acesso a medicamentos sem receita médica nas farmácias. Contudo, ao mesmo tempo em que pode representar um alívio imediato de sintomas incômodos, a automedicação pode trazer consequências graves para a saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em novembro de 2018, um relatório sobre o uso de antibióticos em 65 países.

O documento mostra que existe uma grande discrepância na administração desse tipo de medicamento entre as regiões estudadas. Enquanto alguns países abusam do consumo, outros não têm acesso suficiente aos medicamentos.

Os dois cenários contribuem para a criação das chamadas “superbactérias”, ou seja, quando as bactérias se tornam resistentes, diminuindo, assim, a eficiência do tratamento.

De acordo com o levantamento, o número de doses de antibióticos consumidas no Brasil está entre os maiores do mundo, superando a Alemanha, Canadá e Japão.

Evolução dos antibióticos

Descobertos nos anos 1920, os antibióticos salvaram milhares de vidas, combatendo surtos de pneumonia, tuberculose e meningite, por exemplo. No entanto, ao longo dos anos, as bactérias se modificaram para resistir a esses medicamentos.

Conforme explica a diretora de Medicamentos e Produtos Sanitários Essenciais na OMS, Suzanne Hill, o consumo excessivo assim como o consumo insuficiente de antibióticos são as maiores causas de resistência aos antimicrobianos.

Dessa forma, é de extrema importância consultar o médico antes de fazer uso de qualquer medicamento, especialmente os antibióticos. Além disso, é necessário seguir as recomendações médicas e encerrar o tratamento somente sob orientação médica.

Os riscos da automedicação

Para se ter uma ideia dos riscos da automedicação, de acordo com o Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, ficando à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e até de alimentos.

O uso incorreto de medicamentos, mesmo os que aparentam ser inofensivos, como os analgésicos e antibióticos, pode agravar uma doença, visto que costuma mascarar determinados sintomas. A atenção deve redobrar quando o medicamento é um antibiótico, pois estudos mostram que o uso abusivo dessas substâncias pode facilitar o aumento da resistência de microorganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos.

Além disso, é preciso estar atento em relação a combinação de medicamentos, pois um pode anular ou potencializar o efeito do outro. O uso inadequado dessas substâncias também pode causar efeitos colaterais e até dependência.

É claro que tomar um analgésico uma vez ou outra para aliviar uma dor de cabeça não implica grandes consequências à saúde. Contudo, é preciso evitar a recorrência. Dores por vários dias consecutivos podem representar problemas de saúde e precisam de um diagnóstico correto, para o tratamento adequado.

O Ministério da Saúde recomenda a busca por atendimento médico especializado, a qualquer sinal de problema de saúde. Além disso, é importante evitar recomendações de terceiros, inclusive balconistas de farmácias ou drogarias. O médico é o único profissional habilitado a prescrever medicamentos, mesmo os obtidos sem receita.

DATA
07-01-19
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