Violência doméstica

Violencia
Violência contra a mulher

Afinal, onde reside a violência contra a mulher?

É sempre muito duro falar sobre a violência no Brasil. E quando se trata deste ato cometido contra mulheres, o tema se torna ainda mais complexo do que parece. Primeiro porque a violência acomete homens e mulheres de modo bem diferente. Enquanto homens são atingidos pela criminalidade nas ruas, as mulheres (em sua maioria), são vítimas de agressões físicas, psicológicas e sexuais no ambiente privado. Isto é, um dos principais tipos de violência sofrida pelo universo feminino, vem sendo praticado por familiares e pessoas próximas ao seu convívio (como pais, padrastos, maridos ou namorados).  

1. Sobre a violência doméstica e familiar 

Para se ter ideia de alguns índices, segundo o Atlas da Violência (2019), cerca de 13 mulheres morreram por dia como vítimas de feminicídio, ou seja, foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Apesar da impressão de maior segurança que possamos sentir em casa, é justamente aí que reside metade dos casos de feminicídio. Cerca de 32% é cometido por parceiros e ex-companheiros das vítimas em seus próprios lares. Geralmente, são mortes anunciadas, consequência de uma brutalidade doméstica e diversos abusos contínuos sem qualquer possibilidade de saída. Tal comportamento reforça a condição de poder e controle agindo sobre a vida de cada uma delas, que infelizmente não se veem emancipadas. Isto significa que, mesmo diante de dados alarmantes, existe uma estatística latente ainda maior. E pior, com números que acabam não sendo contabilizados pela ausência de denúncias e outros tipos de registros em cada episódio. 

2. Lei do Feminicídio e a carência de estrutura no Brasil

De acordo com sociólogas e especialistas da área, o Brasil já conta com leis suficientes para coibir e punir agressores. Contudo, necessitamos de políticas públicas e um sistema de estatística nacional para que o problema seja de fato monitorado. Um dos exemplos de evolução que temos nesse sentido, é a já conhecida Lei Maria da Penha (de 2006), tida pela ONU como a mais avançada do mundo em relação ao enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Já no ano de 2015, outro passo importante foi obtido com a Lei do Feminicídio, que o qualificou também como crime hediondo.  No entanto, apesar da criação de melhores práticas na legislação, carecemos ainda de outras medidas a serem tomadas. Contemplando, desde termos de recursos humanos, com profissionais capacitados e sensibilizados com este tipo de violência, até a estrutura para este atendimento especializado. Atualmente, mais de 90% dos municípios brasileiros não consta nenhuma delegacia de defesa da mulher.  

3. O assédio contra a mulher sob a perspectiva corporativa 

Outro ponto agravante, é o caso dos assédios, que também se configuram como um tipo de violência — que pode ocorrer inclusive no ambiente de trabalho. Nesta situação, a mulher se sente coagida ou intimidada, devido a este tipo de abuso ser exercido principalmente por pessoas que estão em posições superiores na hierarquia da organização. 

Dados de uma pesquisa focada no âmbito corporativo, revela que 25% das empresas consultadas, monitoram e atuam em casos de mulheres que sofrem algum tipo de violência. Contudo, mais da metade (55%) afirmaram que não possuem nenhum tipo de ação nesse sentido. As principais razões pelas quais não o fazem, se dá principalmente pelo tema não estar na agenda de prioridades da empresa, falta de apoio da liderança e dificuldade de controlar casos dessa espécie. 

4. Apoio às vítimas em seu ambiente de trabalho: como é possível?

Fato é que, com a expressiva ascensão feminina no mercado, diversos tipos de emprego já se tornaram uma extensão na vida das mulheres. Portanto, essas vítimas de violência doméstica, podem apresentar dificuldades extremas no campo profissional, dado aos danos sofridos em sua saúde física e mental. O resultado? Diferentes níveis de problemas, desde baixo desempenho, transtorno de humor, depressão e consequentemente, faltas sucessivas no trabalho.

Por fim, é preciso entender que os benefícios para as companhias que têm compromisso com tal temática, tem mais a ver com uma postura política do que pensar apenas aos aspectos relacionados de pura produtividade. Muitas empresas não estão organizadas para ofertar o apoio necessário as vítimas de violência, pois esta ocorre predominantemente fora do ambiente de trabalho, tendo inclusive, dificuldades de compreender que este é um problema que terão de lidar de alguma forma. Sendo assim, antes de adotar qualquer plano de ação, é imprescindível a disseminação de informações sobre o assunto e a partir disso, trabalhar na construção de uma cultura empresarial mais humana, que tenha um impacto não só na vida dos colaboradores, mas na realidade em que a empresa está inserida na sociedade. 


REFERÊNCIAS: 
Instituto Maria da Penha
Instituto Vasselo Goldoni
Pesquisa de Informações Básicas Municipais e Estaduais (IBGE). 

DATA
11-12-19
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